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Schoenberg, Tratado de harmonia · Português (Brasil)

Arnold Schoenberg · seção 1 de 66

Prefácio

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Tradução automática da leitura em inglês. Rascunho; ainda sem revisão por um falante nativo.

Aprendi este livro com meus alunos.

Ao ensinar, nunca procurei apenas dizer ao aluno “o que sei”. Quando muito, procurei dizer-lhe o que ele não sabia. Mas nem isso era o principal, embora já me obrigasse a inventar algo novo para cada aluno. Procurei, antes, mostrar-lhe a natureza da matéria desde seus fundamentos. Por isso nunca tive aquelas regras rígidas que tão cuidadosamente apertam suas armadilhas ao redor da mente do aluno. Tudo se tornava orientação, que não obrigava mais o aluno do que o professor. Se o aluno consegue fazer melhor sem a orientação, que prescinda dela. Mas o professor deve ter a coragem de se expor ao ridículo. Deve apresentar-se não como o homem infalível que sabe tudo e nunca erra, mas como o homem incansável que sempre busca e talvez às vezes encontre alguma coisa. Por que desejar ser um semideus? Por que não ser, antes, plenamente humano?

Nunca convenci meus alunos de que sou infalível — só um “professor de canto” precisa disso. Pelo contrário, muitas vezes me arrisquei a dizer coisas que depois retratei e a dar instruções que se mostraram falsas na aplicação e que depois tive de melhorar. Meus erros talvez não tenham beneficiado o aluno, mas dificilmente lhe causaram grande dano; admiti-los abertamente talvez lhe tenha dado algo em que pensar. Para mim, porém, como oferecia ideias próprias ainda não testadas, o erro que logo surgia impunha um novo exame e uma formulação melhor.

Foi assim que este livro nasceu. Com os erros que meus alunos cometiam porque minhas instruções eram insuficientes ou erradas, aprendi a dar as instruções corretas. Soluções bem-sucedidas confirmavam a validade de meu experimento sem me tentar à ilusão de que com isso eu realmente resolvera o problema. E creio que nenhum de nós se saiu mal. Se eu apenas lhes tivesse dito o que sei, saberiam somente isso, e nada mais. Assim, talvez saibam até menos. Mas sabem o que importa: buscar!

Espero que meus alunos busquem! Pois saberão que se busca para buscar. Encontrar pode ser o objetivo, mas pode facilmente tornar-se o fim do esforço.

Nossa época busca muitas coisas. Acima de tudo, porém, encontrou uma: a comodidade. A comodidade estende todo o seu volume até ao mundo das ideias e nos torna mais acomodados do que jamais deveríamos ser. As pessoas entendem melhor do que nunca como tornar a vida agradável. Resolvem problemas para afastar um incômodo. Mas como os resolvem? E como podem sequer pensar que os resolveram? Isso mostra com máxima clareza a condição de que depende a comodidade: a superficialidade. É fácil ter uma “visão de mundo” quando se olha apenas para o que é agradável e não se dedica um olhar ao resto. O resto — isto é, o principal. Ele mostraria que, embora essas visões de mundo sirvam a quem as veste como se feitas sob medida, os motivos que as compõem nascem sobretudo do desejo de se eximir de culpa. Pois, por estranho que pareça, as pessoas de nossa época que estabelecem novas leis morais — ou, de preferência, derrubam as antigas — não conseguem conviver com a culpa! A comodidade, porém, não pensa em autodisciplina, de modo que a culpa é rejeitada ou elevada à condição de virtude. Para quem observa de perto, isso expressa um reconhecimento da culpa como culpa. O pensador que busca faz o contrário. Mostra que os problemas existem e que não estão resolvidos. Como Strindberg: “a vida torna tudo feio”. Ou Maeterlinck: “três quartos de nossos irmãos estão condenados à miséria”. Ou Weininger e todos os outros que pensaram seriamente.

A comodidade como visão de mundo! O mínimo possível de movimento, nenhuma perturbação. Aqueles que tanto amam a comodidade nunca buscarão onde não há certeza de encontrar alguma coisa.

Há um quebra-cabeça em que três tubos de metal de diâmetros desiguais, encerrados numa caixa com tampa de vidro, devem ser encaixados um dentro do outro. Pode-se tentar metodicamente; isso costuma demorar muito. Mas há outro modo: sacudir ao acaso até que se encaixem. É acaso? Parece, mas não creio. Há um pensamento por trás disso: só o movimento pode realizar o que a reflexão não consegue. Não ocorre o mesmo com quem aprende? O que alcança o professor por meio do método? No máximo, movimento — se tudo correr bem! Mas também pode correr mal, e então ele produz rigidez. A rigidez nada produz. Só o movimento é produtivo. Por que não começar logo pelo movimento? Mas a comodidade!? Ela evita o movimento, sem se pôr a buscar em seu lugar.

É preciso fazer uma coisa ou outra. Não importa se o movimento leva à busca ou a busca ao movimento. Só o movimento produz aquilo que se poderia verdadeiramente chamar de educação: cultivo, desenvolvimento completo. O professor que nunca se entusiasma porque apenas diz “o que sabe” também exige muito pouco esforço de seus alunos. O movimento deve começar nele; sua inquietação deve passar aos alunos. Então eles buscarão como ele. Então ele não disseminará “educação”, e isso é bom. Pois hoje educação significa saber um pouco de tudo sem compreender nada. O significado dessa bela palavra é outro, porém; como agora designa algo desprezível, deveria ser substituída por cultivo e desenvolvimento completo.

Ficaria então claro que a primeira tarefa do professor é sacudir profundamente o aluno. Quando a agitação daí resultante se acalmar, tudo provavelmente terá encontrado seu devido lugar.

Ou nunca encontrará!

O movimento que assim parte do professor retorna a ele. Também nesse sentido aprendi este livro com meus alunos. E devo aproveitar a oportunidade para lhes agradecer.

A alguns deles devo agradecer também em outro sentido: àqueles que me ajudaram no trabalho com a revisão de provas e coisas semelhantes; com sua aprovação, que me deu prazer; e com sua oposição, que me deu energia, mas também chamou minha atenção para deficiências. São Alban Berg, que compilou o índice de assuntos; Dr. Karl Horwitz; Dr. Heinrich Jalowetz; Karl Linke; Dr. Robert Neumann; Josef Polnauer; Erwin Stein; e Dr. Anton von Webern. De alguns deles logo se ouvirá falar em ocasiões melhores.

E assim talvez também esse movimento um dia retorne a mim.

Viena, julho de 1911