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Tchaikovsky, Guia para o estudo prático da harmonia · Português (Brasil)

Pyotr Ilyich Tchaikovsky · seção 2 de 36

Introdução · Intervalos

Leia e ouça esta seção na edição reproduzível →

Tradução automática da leitura em inglês. Rascunho; ainda sem revisão por um falante nativo.

Embora se deva supor que os elementos da ciência musical sejam familiares a quem se dispõe a estudar a arte da composição, considero aconselhável iniciar meu tratado de harmonia com uma breve revisão dos intervalos, pois quaisquer concepções incertas nesse terreno poderiam facilmente prejudicar um conhecimento profundo da harmonia.

O termo “intervalo” representa a relação mútua dos sons quanto à sua posição na escala. O som inferior de um intervalo é chamado de som fundamental. Os nomes dos intervalos derivam dos ordinais latinos, designando numericamente os graus entre o som fundamental e o superior.

Example 1
Fig. 1 · Reproduzir este exemplo no leitor ▶

Uníssono Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sétima Oitava 6 7. 8.

Elevar ou abaixar um som de um intervalo não altera seu nome, embora amplie ou reduza a distância entre os dois sons.

Para compreender claramente essas alterações dos intervalos, vamos distribuí-los em dois grupos:

Grupo I: intervalos grandes (maiores), pequenos (menores), aumentados e diminutos; pertencem a ele as segundas, terças, sextas e sétimas.

Grupo II: intervalos justos, aumentados e diminutos; pertencem a ele os uníssonos, oitavas, quintas e quartas.

Os intervalos menores têm um semitom a menos que os maiores; os aumentados têm um semitom a mais que os maiores ou justos; os diminutos têm um semitom a menos que os menores ou justos.

Todos os intervalos que têm como som fundamental o primeiro grau da escala maior são maiores ou justos.

Determinemos agora o número de tons e semitons contidos em cada um desses intervalos, estabelecendo assim uma escala ou meio de comparação para todos eles:

Original table of interval measurements in whole tones
Fig. 2 · Ver no leitor

Conhecidos os diversos tipos de intervalos e os meios de medi-los, podemos estabelecer exatamente qualquer relação entre dois sons dados.

Para ilustrar o que foi dito, construiremos uma tabela de todos os intervalos que têm Dó como som fundamental.

Example 2
Fig. 3 · Reproduzir este exemplo no leitor ▶

2. Maior. Justo. Menor. Aumentado. Diminuto.

Example 2
Fig. 4 · Reproduzir este exemplo no leitor ▶

Aprendemos assim que um intervalo maior ou justo se transforma em menor, diminuto ou aumentado ao abaixar ou elevar o som superior; ou, permanecendo este inalterado, ao elevar ou abaixar o fundamental. Por exemplo:

Example 3
Fig. 5 · Reproduzir este exemplo no leitor ▶

Sexta maior Sexta menor Aumentada Diminuta

Os intervalos que ultrapassam a oitava são apenas repetições das relações existentes dentro de uma oitava; somente a nona tem significado independente na harmonia.

Example 4
Fig. 6 · Reproduzir este exemplo no leitor ▶

Nona. Décima. Décima primeira. Décima segunda. Décima terceira. Décima quarta. Décima quinta.

*) A letra “C” indica os intervalos utilizáveis na harmonia.

A inversão dos intervalos se realiza transpondo o som superior uma oitava abaixo ou o fundamental uma oitava acima. As relações resultantes podem ser expressas pelas seguintes cifras:

O uníssono invertido torna-se oitava; a segunda, sétima; a terça, sexta; a quarta, quinta; a quinta, quarta; a sexta, terça; a sétima, segunda; a oitava, uníssono.

Example 5
Fig. 7 · Reproduzir este exemplo no leitor ▶

Os intervalos maiores tornam-se menores, e os menores, maiores; os aumentados tornam-se diminutos, e os diminutos, aumentados; os justos, porém, permanecem justos.

Example 6
Fig. 8 · Reproduzir este exemplo no leitor ▶

Conforme seu efeito sobre o ouvido, os intervalos dividem-se em consonâncias e dissonâncias. As primeiras são completas em si, pois exprimem certo repouso; as últimas, porém, trazem o elemento de movimento e exigem uma meta ou resolução no intervalo seguinte.

Uníssonos, oitavas e quintas justos, assim como terças e sextas maiores e menores, são consonâncias; os três primeiros são chamados consonâncias perfeitas, e as terças e sextas maiores e menores, consonâncias imperfeitas. Segundas, sétimas e todos os intervalos aumentados e diminutos são dissonâncias. A quarta justa participa da natureza de ambas, inclinando-se mais à dissonância.

§ 1. Os sons musicais se combinam de duas maneiras: fazendo-os soar separadamente um após outro ou submetendo-os a uma concordância simultânea. A primeira combinação chama-se melodia; a segunda, harmonia.

Esses dois elementos, juntamente com o ritmo, que regula sua relação com o tempo ou compasso, constituem o material da arte musical. O assunto deste tratado será a concordância simultânea dos sons: a harmonia.

§ 2. A sonoridade simultânea de três, quatro ou cinco sons separados entre si por intervalos de terça chama-se acorde. O acorde mais simples e, ao mesmo tempo, mais importante é a tríade, que, como indica seu nome, consiste em três sons. Composta de dois intervalos consonantes, terça e quinta, satisfaz o ouvido musical, ao contrário dos acordes de quatro ou cinco sons, que contêm intervalos dissonantes e, portanto, não podem aparecer independentemente, mas devem apoiar-se num acorde consonante ou tríade, ou resolver nele.

§ 3. A tríade, ou acorde perfeito, consiste em três sons separados entre si por intervalos de terça.

Example 7
Fig. 9 · Reproduzir este exemplo no leitor ▶

O som mais grave chama-se fundamental ou base; o intermediário, terça; e o mais agudo, quinta da tríade. As tríades se classificam segundo os tipos de terças e quintas que as compõem. Uma tríade grande ou maior é formada por uma terça maior e uma quinta justa (a). Terça menor e quinta justa constituem uma tríade menor (b); terça menor e quinta diminuta, uma tríade diminuta (c).