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Fux, Gradus ad Parnassum · Português (Brasil)

Johann Joseph Fux · seção 15 de 32

Exercício III

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Quarta LIção

Pelas lições a duas e três vozes, sabe-se que as ligaduras seguem a espécie de semínimas concluída, e igualmente suponho que sua natureza já esteja compreendida. Resta agora explicar quais concordâncias acompanhantes as ligaduras exigem a quatro vozes. Algo foi dito sobre isso na composição a três vozes: a saber, que elas exigem as concordâncias que pediriam se a ligadura fosse removida, pela razão exposta ali, de que uma ligadura nada mais é do que um retardo da nota seguinte, que nada altera quanto às concordâncias. Os exemplos esclarecerão a questão.

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Fig. 209 · Ver no leitor
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Estes exemplos demonstram claramente que as concordâncias são as mesmas com notas ligadas e não ligadas.

Joseph. Essa regra nunca admite exceção, venerado Mestre?

Aloysius. Há exceções em certos casos desta lição, em que se é obrigado a combinar ligaduras com três semibreves durante todo o compasso. Primeiro, isso não pode ser feito no caso em que uma quinta está associada a uma sétima em ligadura. Por exemplo:

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Aqui a resolução da ligadura produz, com a parte do tenor, uma dissonância defeituosa, que acima de tudo deve ser evitada.

Joseph. Que remédio há neste caso?

Aloysius. A semibreve na parte do tenor deve ser dividida desta maneira.

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Joseph. Mas esta espécie não admite a divisão de uma semibreve.

Aloysius. Assim é — onde for possível. Mas ocorrerão vários casos, como aprenderá pelos exemplos que logo se seguirão, em que a necessidade tornará inteiramente impossível dispensar a divisão. Portanto, a exigência estrita de três semibreves não pode ser mantida com muita rigidez nesta espécie.

Joseph. Uma sétima acompanhada de uma oitava não estaria sujeita à divisão de uma semibreve, como se pode ver em seu exemplo anterior, desta maneira:

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Aloysius. Isso é verdade neste caso, em que nada impede que se dê uma oitava em vez da quinta. Mas nos casos, que são muitíssimos, em que não há lugar para uma oitava por causa da sequência de notas anteriores e seguintes, deve-se necessariamente empregar uma quinta. Então a semibreve deve ser dividida, como em muitas outras circunstâncias, conforme ensinam os exemplos seguintes.

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Joseph. Nada encontro de duvidoso neste exemplo, exceto a progressão do quarto compasso para o quinto entre as partes do tenor e do contralto.

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Aloysius. Para que essa progressão não lhe cause escrúpulo, deve saber que uma quarta entre as partes intermediárias ou é considerada sem consequência, ou desempenha a função de uma consonância imperfeita. Assim, aquela progressão deve ser tratada exatamente como se procedesse por movimento direto de uma consonância perfeita para uma imperfeita. Isso deve ser cuidadosamente observado. Agora, aos exemplos restantes.

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Estes exemplos deixam claro que as ligaduras a quatro vozes ou não podem ser acompanhadas em toda parte por três semibreves inteiras, como exige esta espécie, ou, onde podem, não podem ser providas de harmonia completa segundo todas as regras.

Joseph. Vejo em quais exemplos uma ou outra das semibreves foi dividida, e por qual razão, mas não vejo onde diz que falta algo na harmonia.

Aloysius. Não observa que falta a quinta na thesis do sexto compasso do primeiro exemplo? Contudo, ela é absolutamente necessária para a harmonia completa. Depois, no quinto compasso do último exemplo, a segunda é duplicada, enquanto falta a sexta necessária à harmonia completa, como demonstra o exemplo seguinte.

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Fig. 220 · Ver no leitor

Por fim, no quinto compasso do mesmo exemplo, a quarta é duplicada, ao passo que, a rigor, deveria ser duplicada a segunda, e não a quarta.

Joseph. Qual é a razão para duplicar a segunda em vez da quarta?

Aloysius. Isso importa não tanto por causa da segunda ou da quarta, mas por causa da harmonia completa. Pois, como a plenitude da harmonia consiste na colocação de uma terça, uma quinta e uma oitava, enquanto no exemplo mencionado se encontra uma quinta duplicada em vez da oitava, fica claro que a harmonia ali não será completa em todos os aspectos. Aqui, porém, não estou falando da primeira parte do compasso, onde a segunda está presente e não admite uma oitava como companheira, mas da segunda parte do compasso, onde a oitava é desejada. Por exemplo:

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Fig. 221 · Reproduzir este exemplo no leitor ▶

Defeitos semelhantes, de pouca consequência, devem ser concedidos ao rigor desta espécie devido ao benefício excepcional que este exercício traz aos estudantes. Pois ele ensina não apenas a maneira correta de compor, mas também até onde se pode às vezes afastar do rigor das regras quando a necessidade o exige. Coloquei um modelo diante de seus olhos e deixo que o imite ao trabalhar os cinco modos restantes com o mesmo método e as mesmas mudanças de posição. Prossigamos agora à quinta espécie deste estudo.