Nikolai Rimsky-Korsakov · seção 82 de 100
Termos técnicos
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Entre todos os termos confusos empregados no canto para designar a extensão, o registro e o caráter da voz humana, há quatro que se pode dizer representarem tipos elementares: soprano, alto ou contralto, tenor e baixo. Esses nomes são usados para designar a composição do coro, com subdivisões de primeiros e segundos, determinando como as partes devem ser divididas (Sopr. I, Sopr. II etc.). Enquanto a extensão de um instrumento é exatamente regida por sua construção, a extensão da voz, por outro lado, depende da individualidade do cantor. É, portanto, impossível definir os limites exatos de cada um desses tipos vocais. Quando se trata de dividir os coristas em primeiras e segundas partes, os de vozes mais agudas são classificados entre os primeiros, e vice-versa.
Além dos termos principais mencionados acima, empregam-se também os nomes mezzo-soprano (entre soprano e contralto) e barítono (entre tenor e baixo).
Nota. No coro, os mezzo-sopranos são classificados com os segundos sopranos ou primeiros contraltos; os barítonos, com os segundos tenores ou primeiros baixos, segundo a qualidade e o timbre da voz.
Além dessas denominações, que representam as seis vozes solistas principais, muitas outras são usadas para designar extensão, timbre ou técnica, como soprano ligeiro, soprano giusto, soprano lírico, soprano dramático, tenor ligeiro, tenorino-altino, baryton-martin, tenor lírico, tenor dramático, basso cantante ("baixo cantante"), basso profondo (baixo profundo) etc. A essa longa lista deve-se acrescentar o termo mezzo-carattere, de caráter intermediário (entre soprano lírico e dramático, por exemplo).
Se procurarmos descobrir o significado real dessas designações, logo se torna evidente que derivam de fontes muito diferentes: por exemplo, "soprano ligeiro" implica agilidade e mobilidade da voz; "tenor dramático", a capacidade de exprimir forte sentimento dramático; basso profondo significa grande ressonância no registro grave.
O exame minucioso de todos os métodos de ataque e emissão do som pertence ao domínio do professor de canto, e enumerá-los aqui apenas confundiria o estudante. O mesmo se aplica à posição e aos limites exatos dos registros (voz de peito, voz média e voz de cabeça nas mulheres; voz de peito, voz mista e falsete nos homens). O trabalho do professor de canto consiste em igualar a voz em toda a sua extensão, de modo que a transição de um registro a outro, em todas as vogais, possa ser realizada imperceptivelmente. Algumas vozes são naturalmente uniformes e flexíveis. O professor de canto deve corrigir falhas de respiração, determinar a extensão da voz e colocá-la, igualar seu timbre, aumentar sua flexibilidade, instruir quanto à pronúncia das vogais, à modulação de um grau de expressão a outro etc. O compositor deve poder contar com vozes flexíveis e uniformes, sem ter de se preocupar com as capacidades ou defeitos de cantores individuais. Hoje, raramente se escreve uma parte para determinado artista, e compositores e libretistas não consideram necessário confiar certo papel a cantores de fioriture e outro a vozes dramáticas pesadas. Considerações poéticas e artísticas exigem maior variedade de recursos no estudo da ópera ou da música vocal em geral.